Thursday, November 28, 2013

Dubrovnik - Дубровник

A espectacular arquitectura da Baía de Dubrovnik


Situada na costa do Mar Mediterrâneo a cidade tem cerca de 40 mil habitantes e faz parte da lista de património mundial da UNESCO desde 1979. Considerada uma das cidades muralhadas medievais mais bem preservadas da Europa, a cidade de Dubrovnik é o maior centro turístico da Croácia desde a construção do luxuoso Hotel Imperial que data de 1897. A cidade foi desmilitarizada na década de 1970 de forma a assegurar a sua própria protecção durante a Guerra mas após a queda da Jugoslávia em 1991 esteve cercada pelas forças Sérvias e Montenegrinas por sete meses durante os quais sofreu bastantes danos materiais.


História

Parte da muralha da cidade
Reza a lenda que a cidade terá sido fundada no século VII numa ilha rochosa chamada Laus para servir como refúgio ás pessoas em fuga da arruinada cidade de Epidaurum. Após a queda do Reino Ostrogodo a cidade passou a estar em posse do Império Bizantino que passou a gerir a sua população de Ilírios latinizados. Durante o período da reconquista Crista, após as Cruzadas, a cidade passou para as mãos da República de Veneza que destruiu muitas das instituições Dalmácias dando uma nova face à cidade implementando um novo plano arquitectónico pós a ter destruído parcialmente no ano de 1296. Com a assinatura do Tratado de Zadar em 1358 a cidade assegurou uma independência relativa ao tornar-se um estado-vassalo do Reino da Hungria. Assim a cidade foi um estado livre desde o século XIV até ao principio do Século XIX sendo que entre 1440 e 1804 teve de pagar tributo ao sultão Otomano de forma a garantir a sua independência relativa.

 
As paisagens da costa Adriática da Croácia são deslumbrantes (ambas as fotos)

O apogeu de Dubrovnik ocorreu nos séculos XV e XVI quando capital da República de Ragusa assegurou uma grande prosperidade devida ao comércio marítimo na região que lhe proporcionou um alto nível de desenvolvimento histórico e cultural, sob governo de uma aristocracia Latino-Dalmácia, rivalizando com a República de Veneza entre outras Repúblicas marítimas de Itália. Embora mantivesse um sistema restrito de estratificação social a República de Ragusa aboliu o comércio de mão-de-obra escrava logo no principio do século XV estimulando valores sociais que lhe permitiram desenvolver uma talentosa diplomacia que durante séculos balanceou a sua própria soberania com os interesses de Veneza e do Império Otomano.

A muralha medieval da cidade estende-se até às águas do Mar Adriático (ambas as fotos)

Faixa territorial pertencente à Bósnia-Herzgovina
A prosperidade da cidade atraiu um grande número de imigrantes principalmente Judeus, muitos oriundos de Espanha e Portugal que se familiarizavam com Ragusa através do nível de vida nos seus protectorados como Fes em Marrocos. Os imigrantes traziam novas culturas e línguas para dentro das muralhas de Ragusa onde as linguas mais faladas ainda eram o Dalmácio e o Croata embora as línguas mais importantes da cultura e do comércio fossem o Veneziano e o Italiano. A crise do comércio no Mar Mediterrâneo afectou muito a prosperidade de Ragusa que decresceu drasticamente principalmente a partir do momento em que um terrível terramoto assolou a cidade em 1667 levando os seus governantes a vender grande parte do seu território aos Otomanos de forma a evitar a invasão do seu território pelas forças Venezianas - Essa parcela de território pertence hoje à Bósnia e Herzegovina sendo o único acesso desse país ao Mar.
As estreitas ruas da cidade
A cidade cedeu às tropas de Napoleão em 1806 que dois anos depois integrou o território no Reino da Itália até a cidade ser libertada em 1814 pelas tropas Inglesas. Porém um ano depois Dubrovnik foi integrada pelo Império de Habsburgo que após o Congresso de Viena inclui o território no recém-criado Reino da Dalmácia sediado na cidade de Zadar. Porém a combinação de um novo sistema administrativo baseado na etnicidade mas gerido por uma monarquia Germânica desencadeou um grande descontentamento nas elites Dalmácias. 
As cisões étnicas deram origem a vários partidos nacionais e foi o Partido Autónomo de maioria católica sérvia quem alcançou o poder em 1889 que no entanto acabaria ter de debater-se com a oposição do recém criado Partido Croata fundado em 1905 após a junção do Partido Popular e do Partido de Direito, ambos etnicamente croatas.

A cidade de Dubrovnik foi reconstruída de acordo com os padrões originais dos seus monumentos  (ambas as fotos)

Igreja Católica no centro histórico
A queda do Império Austro-Húngaro originada pelo final da I Guerra Mundial em 1918 levou ao final do Estado fantoche que era a Croácia Fascista, levando a que a cidade após ter sido ocupada pelas tropas Italianas e posteriormente Alemãs, fosse incorporada no recém-criado Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, a que mais tarde se deu o nome de Reino da Jugoslávia. Com a implantação do Comunismo e a integração na Federação da Jugoslávia várias personalidades foram presas na cidade sem serem sequer sujeitas a julgamento incluindo muitos padres Católicos.
Apenas em 1991 a Croácia declarou a independência face à Jugoslávia, no entanto a desmilitarização da cidade que tinha começado no principio dos anos 1970 continuava ainda a ser uma questão delicada. A Jugoslávia reagiu à declaração da independência da Croácia com ataques a instituições militares Croatas nomeadamente na cidade de Dubrovnik. Simultaneamente o governo do Montenegro, ainda integrado na Jugoslávia, declarava que Dubrovnik não poderia ser integrado no território da Croácia visto nunca lhe ter pertencido historicamente apesar da quase totalidade dos seus habitantes serem etnicamente Croatas.

A cidade de Dubrovnik está inscrita na lista de património mundial da UNESCO desde 1979 (ambas as fotos)

Em Outubro de 1991 a cidade foi cercada pelo exército Jugoslavo por sete meses durante os quais foram mortas 19 pessoas e feridas mais de 100, a maioria civis. Também o legado histórico da cidade foi fortemente afectado principalmente a muralha da cidade património mundial da UNESCO que foi atingida por mais de 600 disparos. O Exército Croata consegiu libertar a cidade em Maio de 1992 sendo que mesmo assim a ameaça Jugoslava permaneceu nos três anos seguintes. Após o final da guerra a parte histórica da cidade foi recuperada com a aplicação dos fundos da UNESCO de acordo com os padrões históricos originais apesar de alguns dos danos causados pela guerra serem ainda hoje visíveis.


Diário de Viagem


Visitei a cidade de Dubrovnik no mês de Agosto de 2009 proveniente da cidade de Split, mais a norte da costa Croata. Entrei na cidade pelo Portão Pile deparando-me logo com uma enorme rua pedonal chamada Placa que se estende até à Torre do Relógio do lado oposto da parte antiga da cidade.
Logo depois da entrada através do Portão Pile, a entrada mais antiga da cidade, situam-se a Fonte Onofrio e o Mosteiro Franciscano onde no interior do respectivo museu pode visitar-se a terceira farmácia mais antiga de toda a Europa.
 
O Portão Pile, a entrada principal para a cidade antiga (à esq) A fonte Onofrio (à dta)

Fachada do Palácio do Reitor
Apenas alguns dos outrora muitos edifícios renascentistas da cidade resistiram ao terramoto de 1667, sendo que o mais elucidativo do legado histórico renascentista em Dubrovnik é o Palácio Sponza que se situa próximo da Torre do Relógio, e que data do século XVI, sendo originalmente um armazém, depois um banco e hoje o edifício do arquivo nacional. Do lado oposto, bem no centro da Praça Luca, situa-se a coluna de Orlando que data de 1419. Quase despercebida ao lado da Torre do Relógio situa-se a sinagoga, que é a segunda mais antiga da Europa.


A coluna de Orlando (à esq) A Torre do Relógio (ao cento) Uma das ruas transversais à Placa (à dta)

Na mesma área situa-se a a igreja mais conhecida de Dubrovnik, a igreja de São Brás, uma pequena igreja barroca que foi construída no século XVIII, em 1715, para substituir a igreja em memória do padroeiro da cidade destruída pelo terramoto de 1667. No final da rua Pred Dvorom, uma pequena rua nas traseiras da igreja de São Brás, situa-se a igreja da Assumpção da Virgem, a Catedral Católica da cidade, construída em estilo barroco, data também do século XVIII e alberga um impressionante tesouro onde se incluem as relíquias de São Brás.

Eu bem no centro da Placa a principal artéria do centro histórico (à esq) O interior do Mosteiro Franciscano (à dta)

Igreja de São Brás
Entre as duas igrejas situa-se o edifício do palácio do Reitor da cidade que é um edifício de estilo Gótico Renascentista com uma escada ornamentada e uma fachada trabalhada em pedra que hoje alberga um museu. Durante o seu mês de mandato o reitor não podia nunca abandonar este palácio sem a permissão do senado. 
A igreja de São Salvador é outro dos monumentos renascentistas da cidade e situa-se bem próximo de uma das maiores atracções da cidade, o Mosteiro Franciscano cuja biblioteca possui mais de 30 mil obras literárias. 
Outro monumento a visitar é o Mosteiro Dominicano do século XIV, cujo exterior se assemelha a uma fortaleza embora o seu interior seja Gótico-Romanesco.

A zona da marina de Dubrovnik proporciona fantásticas fotografias (todas as fotos)

A maior atracção da cidade são as suas muralhas e torres com cerca de 25 metros de altura, construídas entre os séculos XII e XVI, que a envolvem durante mais de dois quilómetros e durante séculos foram o garante da sua protecção. O ponto mais alto da visita da cidade devido à espectacular paisagem do mar é o caminho ao longo das muralhas entrando na entrada próxima do Portão Pile e depois caminhar na direcção do Mosteiro Dominicano até próximo do Forte de São João. Prepare as suas câmaras fotográficas!


Diário de Viagem
Paisagem do percurso entre Split e Dubrovnik
Eu cheguei até Dubrovnik através de um autocarro nocturno proveniente da cidade de Split num percurso que demorou cerca de seis horas.  
Existem ligações até Dubrovnik desde qualquer cidade grande da Croácia no entanto o percurso terá sempre de ser feito através de autocarro visto que a linha ferroviária termina na cidade de Ploce ainda um pouco antes da faixa territorial concedida à Bósnia-Herzegovina. Existe também um pequeno aeroporto na cidade para onde operam voos vários companhias aéreas low-cost.

Monday, November 18, 2013

Sremski Karlovci - Сремски Карловци

Interior da Catedral Ortodoxa de Sremski Karlovci de estilo barroco que data de 1758 

Com um rico passado histórico Sremski Karlovci tornou-se conhecida por ter sido a sede da Igreja Ortodoxa Sérvia durante a monarquia da Casa Real de Habsburgo, e também a capital política e cultural da região de Vojvodina durante a Revolução de 1848. Situada na província autónoma de Vojvodina na Sérvia, nas margens do rio Danúbio e a pouco menos de 10 quilómetros da cidade de Novi Sad, a segunda cidade mais importante da Sérvia, a pequena cidade de Sremski Karlovci tem hoje cerca de 9 mil habitantes.



História

Interior da Catedral Ortodoxa
O nome da cidade foi mencionado pela primeira vez em documentos históricos que datam de 1308 com o nome de Karom, o mesmo nome de uma fortaleza, propriedade de famílias nobres magiares, que existia no local onde hoje se situa a cidade. A cidade caiu nas mãos dos exércitos Otomanos em 1521 durante a conquista turca dos Balcãs estando sob o seu domínio durante os 170 anos seguintes. Karlovci, o nome eslavo da cidade data da década de 1530, uma data em que apesar de dominada pelo Império Otomano, a cidade era principalmente habitada por Sérvios e possuía três igrejas e um mosteiro Ortodoxos No período entre Novembro de 1698 e Janeiro de 1699  a cidade foi palco de um congresso que visou terminar as hostilidades entre o Império Otomano e a Liga Santa, uma coligação de vários estados europeus incluindo a Monarquia de Habsburgo, a Polónia, Veneza e até a Rússia que também temia o avanço das tropas Otomanas. Deste congresso resultou o Tratado de  Karlowitz ou Carlowitz, o nome alemão da cidade, que passou desde aquele momento a estar integrada no território da Monarquia de Habsburgo sendo o principal pólo politico, cultural e religioso dos Sérvios residentes naquele reino.

Na cidade misturam-se os estilos neo-clássico e barroco com a arquitectura Sérvia (ambas as fotos)

Na Assembleia Nacional Sérvia que decorreu em Sremski Karlovci em Maio de 1848 os Sérvios declararam a união das várias regiões que passaram a compor a Vojvodina Sérvia, entidade da qual a cidade de Sremski Karlovci foi a primeira capital depois movida para a cidade de Zemum hoje inserida na área metropolitana de Belgrado. Na mesma Assembleia Nacional a cidade de Sremski Karlovsi foi elevada à condição de Patriarcado, estatuto que assegurou até 1920, ano em que foi anexado ao Patriarcado de Belgrado aquando da criação do Patriarcado da Sérvia.

Sremski Karlovci é uma elegante cidade de estilo neo-clássico nas margens do rio Danúbio (ambas as fotos)

Torres da Catedral Ortodoxa da cidade
No final da I Guerra Mundial em 1918 a cidade passou a estar inserida no recém criado Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, e dois anos depois foi o local de destino dos emigrados russos anti-bolcheviques liderados pelo general Pyotr Nikolayevich Wrangel que abandonaram a Rússia durante após serem derrotados na Guerra Civil Russa.
Durante a II Guerra Mundial a cidade foi ocupado pelas potencias do Eixo e posteriormente anexada na Croácia fascista mudando o nome durante esse período para Hrvatski Karlovci.
Apenas no final da Guerra a cidade voltou a estar integrada na província autónoma de Vojvodina como parte de um dos sete municípios afectos à cidade de Novi Sad, a segunda maior cidade da Sérvia.



Diário de Viagem


Visitei Sremski Karlovci aquando da minha estadia em Novi Sad proveniente da cidade de Subotica onde iniciei a minha visita à região autónoma de Vojvodina na Sérvia. em Abril de 2012. A cidade é uma porta às margens do Danúbio para o espectacular complexo de mosteiros Ortodoxos Sérvios de Fruska Gora, situado a muitos poucos quilómetros nas montanhas envolventes.Talvez por se situar na região de Vojvodina e já com muita influencia Húngara, Sremski Karlovci é uma cidade de arquitectura charmosa e elegante muito diferente do existente nas outras regiões que conheci na fascinante Sérvia.

A cidade de Sremski Karlovci é uma elegante cidade neo-clássica e um centro religioso da Ortodoxia Sérvia (todas as fotos)


Edifício da Escola de Gramática
A cidade foi o principal centro da Igreja Ortodoxa Sérvia no século XIX sendo ainda um importante pólo religioso na Sérvia com um impressionante legado cultural e religioso como a sua Catedral Ortodoxa de estilo barroco que data de 1758. Outra das marcas da cidade são os edifícios de estilo neo-clássico que se encontram em toda a zona histórica sendo que os mais icónicos são o edifício da sede do município que data de 1806 e o da escola de gramática muito característico e algo diferente dos demais por se tratar de uma mistura entre o estilo neo-clássico com arquitectura tradicional sérvia. Esta escola começou a funcionar em 1792 dedicando-se ao ensino de gramática e língua mas hoje dedica-se ao ensino de teologia.

 A fonte dos quatro leões é um ícone da cidade (esq) A Catedral Ortodoxa de Sremski Karlovi data de 1758 (dta)

Igreja de Mitropolita
Outra das marcas da cidade é a fonte dos quatro leões, de estilo barroco, construída em 1799 pelo arquitecto italiano Giuseppe Aprilli; reza a lenda que quem beber água desta fonte regressará à cidade depois de casar-se. Outro local a visitar é a igreja de Mitropolita, uma pequena branca situada já um pouco fora do centro histórico, bem como a chamada capela da paz na parte mais a sul da cidade famosa por ter sido construída no local onde foi assinado o tratado de paz entre os austríacos e os turcos em 1699. A capela  data de 1817 e foi construída de forma a que se assemelhasse a uma tenda militar turca, com quatro entradas que permitem que várias pessoas entrem simultaneamente e de forma igual.
Visitei também o museu etnográfico e do vinho, uma marca da cidade desde que os romanos plantaram nas terras desta região aquando da sua presença na mesma. A herança dos romanos no que concerne às castas de vinho que chegou até aos dias de hoje através do diferente mas saboroso vinho bermet.

Como Chegar

Edifício Neo-Clássico no centro da cidade
Para chegar até à pequena cidade de Sremski Karlovci é necessário partir desde Novi Sad, a capital da regiao de Vojvodina e a segunda mais importante cidade da Sérvia. Uma vez em Novi Sad, de onde podemos chegar através de comboios ou autocarros frequentes desde Belgrado, podem percorrer-se os cerca de dez quilómetros que separam Sremski Karlovci de Novi Sad de autocarros com saída desde o centro de Novi Sad. Dada a distancia ser pequena também pode facilmente optar-se pela opção táxi que apesar de ser mais cara mas facilitará depois o acesso aos mosteiros de Fruska Gora para onde não existem autocarros sem ser os turísticos cujos bilhetes se adquirem no escritório de turismo de Sremski Karlovci.