Wednesday, July 31, 2013

Belgrado - Бeoгpaд

Catedral de São Sava, erguida em honra do fundador da Igreja Ortodoxa Sérvia


Localizada na confluência entre os rios Sava e Danúbio, onde se iniciam geograficamente os Balcãs. Beograd significa "cidade branca" em língua sérvia e com 1,2 milhões de pessoas é a capital e a maior cidade da Sérvia, bem como uma das maiores cidades da Europa Central e de Leste. A longa história da cidade remonta ao século IV à ocupaçao romana e alguns vestígios dessa época podem ainda ser vistos na fortaleza de Kalamegdan. Durante a Idade Média a cidade foi um bastião Sérvio e Cristão até ser anexada pelo Império Otomano que assegurou o domínio da cidade até à independência da Sérvia, em 1878, pais do qual Belgrado passou a ser capital.



História

Rio Danúbio visto desde Kalamegdan
Embora a área seja habitada desde a antiguidade a cidade apenas começou a tornar-se preponderante no mapa geográfico dos Balcãs quando foi conquistada pelo Império Romano em 34 a.c. durante o reinado do Imperador Augusto e passou a ser conhecida pelo nome romano de Singidunum no século I a.c.. A relação da cidade com o Cristianismo remonta aos primórdios desta religião visto que esta foi o local de nascimento de Constantino I, o primeiro Imperador Cristão de Roma, e também do Imperador Joviano, que restaurou o Cristianismo como a religião oficial do Império Romano. Após a divisao do Império Romano a cidade ficou também dividida sendo que o rio Danúbio passou a separar o Império Bizantino do Império Romano, que começava na cidade de Taurunum, hoje conhecida como Zemun.
Fortaleza de Kalamegdan
A chegada dos povos eslavos em meados do século V mudou completamente a cultura da cidade que durante os séculos seguintes foi controlada pelo Império Búlgaro, Império Bizantino e até pelo Reino da Hungria, até tornar-se a capital do Reino da Sérvia de Estêvão Dragutino em 1282. Estêvão Dragutino, ao receber a cidade do seu padrasto Estêvão V da Hungria, tornou-se em 1276 no primeiro rei Sérvio a reinar em Belgrado. Após as Batalhas de Maritsa, em 1371, e do Kosovo, em 1389, o Império Sérvio começou a perder o seu território, principalmente a sul, para o Império Otomano, sendo que Belgrado a norte continuou a resistir à ocupaçao Otomana e a ser a capital da Sérvia.
Em 1521 a cidade de Belgrado foi conquistada pelo Império Otomano através de uma acção militar de enormes proporções que envolveu a participação de mais de 250 mil soldados Otomanos e da qual a cidade saiu totalmente destruída sendo a sua população Cristã Ortodoxa deportada para Istambul.

Portao de Istambul, principal entrada em Kalamegdan (esq) Parque adjacente à fortaleza de Kalamegdan (dta)

Porém durante cerca de quatro séculos de domínio Otomano, muito em parte devido à sua localização geográfica não muito distante da Europa Central, a cidade acabou por ser várias vezes conquistada pela Monarquia de Habsburgo sofrendo muitas das vezes pesados danos bem como exodos populacionais visto que as retiradas das tropas de Habsburgo arrastavam consigo milhares de civis Sérvios que liderados pelos seus patriarcas se refugiavam nas regiões de Voivodina e Eslavónia.  
Integrada no Império Otomano Belgrado tornou-se na capital de uma província dos Balcãs e na segunda maior cidade do Império Otomano na Europa, com mais de 100 mil habitantes, apenas superada por Istambul. Durante o período de ocupação Otomana um novo estilo arquitectónico foi introduzido na cidade, visível na construção de mesquitas e de vários outros edifícios de influencias arquitectónicas orientais.
Um dos vestígios da arquitectura Otomana
A primeira Rebelião Sérvia conseguiu controlar a cidade durante 6 anos, entre 1807 e 1813, e a segunda que teve lugar em 1815 assegurou uma semi-independência embora esta apenas tenha sido formalmente reconhecida pelo sultão em 1830. Em 1841 o príncipe Miguel Obrenovic mudou formalmente a capital do Principado da Sérvia de Kragujevac para Belgrado. O assassinato do Príncipe em 1868 enquanto passeava numa carruagem nos jardins da sua residência não prejudicou o processo de passagem do principado para Reino da Sérvia em 1882, que embora continuasse a ser um país agrário a capital Belgrado começou a cimentar o seu estatuto de maior e mais importante cidade dos Balcãs.  

O Monumento da vitória erguido em 1928
A eclosão da I Guerra Mundial, na sequência da declaração de Guerra da Áustro-Hungria à Sérvia, originou um enorme número de ofensivas militares nas proximidades de Belgrado. Sendo uma frente de guerra bastante activa a cidade foi arrasada pelas hostilidades militares teve muitas baixas entre civis e chegou mesmo a ser anexada pelas tropas invasoras embora tivesse sido posteriormente recuperada pelas forças Sérvias com auxilio de tropas Francesas no ano de 1918. Com o término da I Guerra Mundial a cidade de Belgrado tornou-se na capital do recém-formado Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos em 1929. Sub-consequentemente Belgrado passou por um período de estabilidade que lhe proporcionou níveis significativos de crescimento demográfico e modernização de infraestruturas.
 
O Pacto Tripartido assinado pelo Príncipe Paulo em 1941 visava a integração nas potencias do eixo com a intenção de manter a Jugoslávia à margem da II Guerra Mundial com um estatuto de neutralidade. Contudo isto originou protestos na cidade que culminaram num golpe de estado liderado pelo General Dusan Simovic a que os Alemães responderam com um forte bombardeamento aéreo em Abril de 1941 vitimando 24 mil pessoas. A cidade passou seguidamente por um período tumultuoso em que foi invadida pelas tropas Alemãs, Italianas, Húngaras e Búlgaras sendo o distrito de Zemum anexado pelo Estado Fascista da Croácia. 

Margem do Danúbio em Zemun (esq) Zona histórica do bairro de Zemun (dta)

A cidade foi novamente bombardeada, desta feita pelas tropas Aliadas, em Abril de 1944 embora tivesse permanecido sob ocupação Alemã até ser libertada pelo Exército Vermelho com a colaboração de comunistas Jugoslavos em Outubro de 1944.
O Marechal Josip Broz Tito proclamou em Belgrado a República Popular Federal da Jugoslávia no dia 29 de Novembro de 1945. Durante o período Comunista Belgrado tornou-se num importante pólo industrial, cultural e politico sendo que a cidade foi palco da conferencia dos Países Não-Alinhados presidida por Tito. 

Fachada do memorial de Josip Broz Tito (esq) Fotografia da conferencia dos países não-alinhados em Belgrado (dta)

Igreja Ortodoxa em Zemun
A cidade continuou o seu crescimento sob o regime comunista mesmo após a morte de Tito, no entanto o regime começou a ser fortemente contestado através de inúmeras manifestações, que envolveram mais de 100 mil pessoas e causaram dois mortos e mais de duzentos feridos e apenas foram travadas devido à presença de tanques militares nas ruas, contra o líder Slobodan Milosevic em Belgrado no ano de 1991. 
A população voltou a sair às ruas de Belgrado durante um longo período, de Novembro de 1996 a Fevereiro de 1997, exigindo a demissão dos comunistas após uma alegada fraude fiscal nas eleições autárquicas. Estes protestos culminaram na ascenção de Zoran Dindic ao posto de Presidente da Câmara de Belgrado, tornando assim no primeiro Presidente não Comunista de uma autarquia Sérvia desde a II Guerra Mundial.


Edifício bombardeado pelas tropas da NATO
O comportamento do Exército Sérvio na Guerra do Kosovo levou a que a NATO bombardeasse a cidade de Belgrado, sendo atingidos diversos locais estratégicos como ministérios e o edifício da Rádio e Televisão da Sérvia mas também hospitais, um Hotel e até a Embaixada da China. As eleições presidenciais do ano 2000 levaram a que Belgrado se tornasse mais uma vez palco de violentas manifestações que  levaram mais de meio milhão de pessoas ás ruas para exigir a demissão do Presidente Milosevic.  Slobodan Milosevic acabou mesmo por afastar-se sendo posteriormente preso e julgado por Crimes de Guerra no Tribunal Penal Internacional, começando a Sérvia a trilhar o seu caminho democrático inspirado por outros países europeus embora continue a ser uma nação ferida no seu orgulho após ter perdido grande parte do seu território. Até hoje a Sérvia continua a não reconhecer a independência da Republica do Kosovo. 


Diário de Viagem

Ao chegar pela primeira vez a Belgrado, em Agosto de 2010, pude confirmar que Belgrado correspondia aos relatos que tinha já escutado de pessoas que por lá já tinham passado e que raramente enaltecem a beleza da cidade.  Belgrado, que significa cidade branca, trata-se de uma cidade grande, com largas avenidas, ao estilo das grandes capitais da Europa ocidental, e que por isso difere de todas as outras capitais dos estados independentes dos Balcãs, outrora Repúblicas integrantes da Jugoslávia. 

Edifícios neo-clássicos situados na rua Knez Milos, bem no centro da cidade de Belgrado (ambas as fotos)

Novi Beograd na outra margem do Danúbio
No entanto, a miscigenação que caracteriza os Balcãs está também presente em Belgrado, principalmente na sua arquitectura que mistura imponentes blocos cinzentos de apartamentos construídos durante a era comunista, com edifícios neo-clássicos recheados de pormenores característicos da art-noveaux erguidos durante a presença da Monarquia de Habsburgo na cidade, bem como alguns vestígios Otomanos que tendem a perdurar na arquitectura de algumas partes da cidade. A este caos urbanístico há ainda que juntar a imagem algo estranha mas bastante notória dos grandes edifícios administrativos bombardeados pela NATO em 1999 bem como os arranha-céus que se erguem em Novi Beograd - Nova Belgrado, na outra margem do rio Sava.

Várias cenas de rua na muito diversa cidade de Belgrado (fotos de 2012 e 2010)
 
A estação de caminhos de ferro bem como as duas principais gares de camionagem situam-se um pouco a sul do centro embora não muito distantes de Terazije, o coração da moderna Belgrado, e a rua mais frequentada e cosmopolita da cidade, a rua pedonal de Knez Mihailova. Aqui podemos encontrar os melhores cafés e restaurantes da cidade instalados em elegantes edifícios neo-clássicos que se estendem desde Terazije até à antiga cidadela de Kalamegdam, o principal ícone da cidade.

Estação de Belgrado, de onde o primeiro comboio partiu em 1884 (esq) A muito procurada rua Knez Mihailov (dta) 
 
Parque que liga Knez Mihailov a Kalamegdan
A separar a Knez Mihailov da cidadela de Kalamegdam existe um parque verde onde inúmeros vendedores tem montadas as suas bancas na sombra das árvores. A antiga fortaleza onde se travaram 115 batalhas ao longo da história da cidade está construída numa colina que contempla a junção do rio Sava com o Danúbio. As primeiras fundações remontam à ocupação celta e posteriormente romana, no entanto o actual monumento é fruto das obras de restauro e reconstrução levadas a cabo no século XVIII quer pelos Otomanos quer pelos Húngaros. No interior da cidadela é possível visitar o museu militar cujo espólio inclui armas que datam desde antes da formação da Jugoslávia até aos bombardeamentos da NATO em 1999 em Belgrado. Também são parte integrante do museu armas capturadas aos guerrilheiros independentistas do Kosovo durante o conflito que assolou aquela região.


Portão da torre do Relógio, construída no século XVIII (esq) Museu militar com armas da ex Jugoslávia (dta)

Igreja Saborna,catedral Ortodoxa
A nível arquitectónico o centro histórico de Belgrado data de há dois séculos, quando Belgrado foi recapturada pela Casa Real de Habsburgo ao já débil Império Otomano. A partir deste momento foram sendo construídos os edifícios mais marcantes da cidade de hoje, como o Palácio da Princesa Ljubica, construído para a mulher do Príncipe Milos, e também a Igreja Saborna, catedral Ortodoxa da cidade. Muitos destes edifícios albergam vários museus da cidade como o Museu Nikola Tesla, o Museu dos Arquivos de Filmes Jugoslavos e o Museu de História Nacional da Sérvia.
Situado entre o distrito de Skadarska e a cidadela de Kalamegdan, o bairro residencial de Dorcol que em turco significa quatro estradas é dos poucos locais em Belgrado onde ainda são visíveis os traços da ocupaçao Otomana como por exemplo a Mesquita Bayrakli construída no século XVII e a única que resta em Belgrado e que teve de sofrer obras de reconstrução após ter sido muito danificada na sequência dos motins contra a insurreição dos albaneses no Kosovo.

Fachada da Igreja Ortodoxa de São Sava
Belgrado é famosa pela sua vida nocturna boémia cujo epicentro é o bairro de Skadarska, um bairro com as estradas empedradas e com pequenos edifícios, que desde o inicio do século XX deixou de ser um bairro de ciganos e de operários humildes, tornando-se num local de reunião para a comunidade artística da cidade. Aqui é possível frequentar bares mas também restaurantes com esplanadas onde se pode degustar a cozinha Sérvia acompanhada pela música dos acordeões dos ciganos itinerantes.

Igreja Ortodoxa Sérvia lado a lado com uma Igreja Russa (esq) O "?" data de 1823 é a taverna mais antiga de Belgrado (dta)

Três dos locais que mais gostei de visitar na cidade encontram-se algo afastados do centro da cidade. A enorme catedral de São Sava, o maior templo da Ortodoxia Sérvia e visível de qualquer ponto da cidade que reza a lenda foi erguido exactamente no local onde os Otomanos queimaram as relíquias de São Sava no século XII.

A igreja está em construção desde 1894 mas as várias guerras tem interrompido os trabalhos (ambas as fotos)

Ainda mais afastado do centro encontra-se o memorial erguido em honra de Josip Tito e onde descansam eternamente os seus restos mortais. No complexo do memorial existe um museu cujo espólio é composto por colecção acumulada por Tito das ofertas de líderes políticos mundiais de inúmeros países, entre os quais se destacam um Rolls Royce oferecido pela Rainha Isabel II e uma caneta oferecida por John F. Kennedy.

Em cima: Fachada do memorial de Josip Bros Tito (esq) Pedra tumular da sepultura de Josip Bros Tito (dta)
Em baixo: Lenços tecidos em diversas Repúblicas da Jugoslávia em honra a Josip Bros Tito (ambas as fotos)

A torre de Sibinjanin Janko data de 1896
O meu local de eleição em Belgrado é o elegante distrito de Zemun que se encontra a oito quilómetros do centro da cidade, cerca de quarenta cinco minutos de marcha do centro de Belgrado, já na outra margem do rio Danúbio, e que foi o ponto mais a sul do Império Austro-húngaro durante o domínio Otomano de Belgrado. Embora hoje seja não mais do que um outro qualquer bairro de Belgrado embora a sua arquitectura Austro-húngara o faça diferir bastante de outros locais da cidade. A principal atracção do local, além das suas muralhas, é a torre de Sibinjanin Janko construída em 1896 para celebrar os mil anos do estado Húngaro, e claro, para controlar os Otomanos na outra margem do rio. Existem ainda várias igrejas nas redondezas sendo a mais famosa a igreja Nikolajevska, que data de 1731. 

Rua de Grobnjacka que sobe até à fortaleza de Gardos (esq) Vista de Belgrado desde o bairro de Zemun (dta)

Belgrado é uma cidade energética e vibrante com uma fantástica vida nocturna e uma grande oferta cultural que possibilitam os seus inúmeros museus e teatros, e que merece por isso ser explorada em qualquer viagem aos Balcãs apesar do seu potencial turístico não ser tão grande como outros pontos desta região e até mesmo da Sérvia. 
Estádio do Partizan, em Savski Venac
Outra oferta cultural que poderá explorar em Belgrado é o futebol, visto que Belgrado é a capital do futebol dos Balcãs e uma das nações do futebol mundial embora por estas paragens este desporto, por várias razoes, seja vivido com alguma violência, principalmente quando os dois clubes rivais da cidade, Partizan e Estrela Vermelha, se defrontam, conforme eu pude confirmar visto ter estado na cidade que se encontrava completamente deserta, exceptuando o enorme número de polícias nas ruas, num dia de jogo entre os dois clubes em 2012.


Como Chegar

Belgrado é a cidade dos Balcãs com melhores ligações ao resto da Europa, através de autocarros mas também utilizando o serviço de caminhos-de-ferro, embora estes estejam um pouco obsoleto. Também chegar ou partir de Belgrado para qualquer outro ponto dos Balcãs, excluindo a Albânia que não era parte da Jugoslávia, não é difícil visto existirem ligações directas, de comboio e autocarro, a todas as capitais dos Estados dos Balcãs - Skopje, Podgorica, Zagreb, Sarajevo e Prishtina, já que até 1990 foram importantes cidades que por isso beneficiavam de boas ligações ferroviárias com a metrópole da Jugoslávia, Belgrado. Também existem ligações entre Belgrado e o Kosovo, embora a segurança não seja a maior havendo por isso algumas razoes a considerar. 
Edifício bombardeado no centro de Belgrado
A linha ferroviária que ligava Belgrado a Prishtina, a capital do Kosovo, encontra-se encerrada devida ainda aos danos da guerra sendo por isso a viagem de autocarro, que efectuei, a única opção. Trata-se de uma viagem demorada pelas montanhas do sul da Sérvia através da cidade Novi Pazar, e ao chegar ao Kosovo o autocarro para no enclave Sérvio na cidade de Mitrovica. No meu caso não existiu controlo fronteiriço, devido ao autocarro ter utilizado estradas secundárias de montanha apenas com um ponto de vigia que não exigiu a paragem do veículo. No caso de existir controlo fronteiriço convém salientar que a partir do momento em que o passaporte for carimbado pelas autoridades do Kosovo, o seu titular está automaticamente impedido de regressar à Sérvia sem ter alguns "problemas" na fronteira.

Wednesday, June 5, 2013

Ohrid - Охрид

A igreja Bizantina de Sveti Jovan Kaneo, do século XII, virada para o Lago Ohrid

A cidade de Ohrid é uma cidade com pouco menos de 60 mil habitantes situada na margem leste do Lago Ohrid, no território da Republica da Macedónia, embora muito próxima da fronteira com a Albânia. A cidade é conhecida como a Jerusalém dos Balcãs devido a ali existirem 365 igrejas, uma por cada dia do ano. Inserida desde o ano de 1979, juntamente com o Lago Ohrid, na lista de património cultural e natural mundial da UNESCO, a cidade de Ohrid trata-se do maior centro turístico da Republica da Macedónia.   


História 

Contam as velhas lendas gregas que a antiga cidade grega de Lychnidos, mencionada aquando das conquistas Romanas no final do III a.c. terá eventualmente sido fundada pelo príncipe Cadmo da Fenícia, que, após ter sido banido da cidade de Cadmeia em Tebas, se estabeleceu numa das margens do Lago Ohrid, antigo Lago Lychnitis.
As velhas muralhas do castelo de Ohrid
Embora conhecida na antiguidade pelo nome grego de Lychnidos, que significa cidade da luz, pelo menos desde o ano 879 que a cidade passou a ser conhecida pelo seu nome eslavo de Ohrid, com origem nas palavras eslavas vo hrid que significa "na colina".  
Estima-se que as tribos Ilirias tenham sido as primeiras a habitar o local onde se situa a cidade, porém os artefactos arqueológicos remontam aos tempos do rei Filipe II da antiga Macedónia. Os Eslavos apenas começaram a chegar ao Lago Ohrid, que estava inserido na rota da Via Egnatia até Bizancio, durante o século VI. Isto porque as escavações arqueológicas provaram a existência do Cristianismo nesta área pelo menos desde o século V.
Lago Ohrid visto desde a cidade
Os Búlgaros conquistaram a cidade no ano de 867 e o nome Ohrid foi primeiramente mencionado poucos anos depois, em 879. Posteriormente a cidade passou a ser capital do Império Búlgaro bem como sede do patriarcado da Bulgária. 
O Império Bizantino reconquistou a cidade em 1018 e o Patriarcado Búlgaro passou a depender directamente do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla. Porém, mesmo durante o domínio Otomano a maioria do clero residente em Ohrid era invariavelmente de origem Grega até à abolição do arquibispado em 1767. 
No principio do século XVI o arcebispado de Ohrid era soberano face aos bispados de Sofia, Vidin, Peć, e mesmo alguns distritos ortodoxos em Itália como a Calábria e a Sicília, além de ter sido durante séculos um importante centro cultural e religioso.

Igreja de Sao Clemente de Ohrid (esq) Igreja de Sveti Naum, próxima da fronteira com a Albânia (dta)

Igreja de São Panteleimon
No século XIII e XIV a cidade foi dominada pelo Despotado do Épiro, um dos três Estados Bizantinos Gregos fundados pela nobreza exilada do Império Bizantino, após a tomada de Constantinopla pelos cruzados da Quarta Cruzada, que clamava ser o legitimo herdeiro do Império Bizantino.
Os Impérios Búlgaro, Bizantino e Sérvio também dominaram a cidade que em 1334 foi capturada por Estêvão IV Duchan e incorporada no Império Sérvio passando após a sua morte a ser controlada pelo Principe Marco e incorporada no Reino de Prilep, após um breve período sob domínio da familia Gropa de origem albanesa. Em 1395 as tropas Otomanas controladas por Bayezid I entraram na cidade capturando-a e nomeando-a sede do Sanjak de Ohrid. 

As margens nevadas do Lago Ohrid durante o inverno - Janeiro de 2012 (ambas as fotos)

Após a luta dos Otomanos contra as tropas lideradas por Skanderbeg a partir da cidade de Lezhë, Mehmed II regressou a Ohrid em 1466 destronando Dorotheos, o Arcebispo de Ohrid que foi desterrado para Istambul juntamente com vários outros membros do clero, bem como outros cidadãos acusados de actividades anti-Otomanas durante a rebelião de Skanderbeg.

Paisagens espectaculares do Lago Ohrid próximas de Sveti Naum (todas as fotos)

Fachadas Otomanas das casas de Ohrid
A população cristã da cidade reduziu drasticamente durante os primeiros séculos de domínio Otomano, situação que apenas mudou um pouco no século XVIII quando Ohrid emergiu como um importante ponto estratégico de uma das maiores rotas comerciais dos Balcãs. No final do século XIX a cidade contava com cerca de 12 mil habitantes dos quais 45% eram muçulmanos sendo os restantes Cristãos, quer Católicos Romanos quer Ortodoxos.
Igreja de Sveti Jovan Kaneo


Antes de 1912, ano em que os Sérvios conquistaram a cidade, Ohrid era uma cidade que dependia de Monastir, actual Bitola, centro do Sanjak com o mesmo nome. Porém, na parte final do domínio Otomano, até meados do século XIX a região de Ohrid bem como outras partes da Turquia Europeia eram consideradas pelos governantes Otomanos como bolsas de instabilidade.
A conquista Sérvia abriu caminho para a cidade de Ohrid de hoje, que passou pela integração na Jugoslávia após a II Guerra Mundial da qual se separou apenas no final dos anos 1990 para integrar a recém-independente República da Macedónia.



Diário de Viagem

A primeira vez que visitei esta fantástica cidade foi no mês de Agosto de 2010 quando esta me foi referenciada na capital Skopje como um local a não perder na República da Macedónia. Ao chegar a Ohrid rapidamente me apercebi do enorme potencial turístico da cidade devido à riqueza arquitectónica e histórica.

Subida para o castelo de Ohrid (em cima) Ponte pedonal junto ao lado Ohrid (em baixo)

As principais atracções da cidade são as suas imensas igrejas, que contam as lendas que em tempos tenham chegado a ser 365, uma por cada dia do ano. Construídas quer por Bizantinos quer por Búlgaros ou mesmo por Sérvios durante a idade média chegaram até aos dias de hoje em excelente estado de conservação muito em parte devido ao grande investimento do governo da Macedónia na recuperação do património histórico do país. 

O Mosteiro de Sao Clemente e Panteleimon coberto de neve durante o mês de Janeiro de 2012

A mais emblemática igreja de Ohrid é o Mosteiro São Clemente e Panteleimon que foi construído muito próximo do local onde se situam as velhas ruínas da igreja mais antiga de Ohrid, que tinha o mesmo nome. As fundações da antiga basílica que remonta ao século V estão cobertas por um telhado com o mesmo formato do telhado original do antigo templo. Também chegaram até aos dias de hoje vários mosaicos que eram parte do pavimento do templo; estão expostos em frente da nova igreja, sendo que nos meses de inverno são cobertos com areia de forma a ser preservados. 

 
Mosteiro de São Clemente e Panteleimon (esq) Anfiteatro de Ohrid (dta)

Embora apenas tenha sido descoberto e desenterrado em 1984, o Anfiteatro Romano é um dos mais antigos monumentos da cidade. Construído há mais de dois mil anos destinava-se à realização de peças apesar de servir também como oratório. Na era mais tardia do Império Romano as primeiras dez colunas foram demolidas e substituídas por uma parede e o monumento passou a ser utilizado como palco para lutas de gladiadores.

Um pintor pinta o lago Ohrid (esq) Velhas muralhas do castelo da cidade (dta)
 
Entre os mais antigos monumentos de Ohrid encontra-se também o castelo de Samuel, que data do século X. Situado no alto das colinas de Ohrid as ruínas do castelo não são muito interessantes até por não existir um museu no seu interior, no entanto a vista que oferece sobre a cidade antiga e sobre o lago desde as suas muralhas tornam imprescindível a sua visita.

Igreja de Sveta Bogorodica Perivlepta (em cima) Igreja de Sveti Jovan Kaneo (em baixo)

As mais importantes igrejas de Ohrid são as igrejas de Santa Sofia, São Panteleimon, São João, São Clemente, São Jorge, Santo Estêvão. A igreja de Sveti Jovan Kaneo data do século XIII e está situada em cima de uma colina com uma paisagem espectacular sobre o lago e é algo invulgar devido à forma pouco usal do seu telhado que deixa antever alguma influencia arménia na sua arquitectura.  A igreja de Sveta Bogorodica Perivlepta situa-se na parte antiga da cidade e data de 1295 sendo por isso uma das igrejas mais antigas de Ohrid e das mais conhecidas pela sua beleza, principalmente devido aos seus frescos.

Ohrid é o principal pólo turístico da Republica da Macedónia onde a maior parte do país se reúne no verão  

A vasta história da cidade fez com que esta fosse inserida na lista do património mundial da UNESCO em 1980 ainda quando a Macedónia era uma das repúblicas que compunha a Jugoslávia. A cidade está enquadrada num magnifico cenário natural composto por um Lago de águas azul turquesa que com cerca de três milhões de anos se pensa ser um dos mais antigos da Europa bem como por montanhas de quase três mil metros de altitude e é cada vez mais um importante pólo turístico da região dos Balcãs.


A cidade de Ohrid e o lago com o mesmo nome cobertos de neve durante o mês de Janeiro de 2012


Como Chegar

Estrada até à fronteira com a Albânia
Uma vez no território da República da Macedónia não é difícil chegar até à cidade de Ohrid visto que esta cidade é o principal pólo turístico do país e também uma cidade onde existem várias universidades e que alberga por isso vários estudantes de outras cidades do país. Eu cheguei a Ohrid num autocarro que apanhei na capital Skopje, e deixei a cidade num autocarro que me deixou próximo da fronteira de Tushmisht na Albânia que passei a pé. No entanto é possível apanhar autocarros até Ohrid de várias outras cidades do país. Para quem vem da Albânia deve apanhar autocarro até à cidade de Struga e dali perguntar pela conexão até Ohrid que fica a apenas 15 quilómetros.