Showing posts with label Saranda. Show all posts
Showing posts with label Saranda. Show all posts

Thursday, August 2, 2012

Sarandë & Blue Eye Spring


Praia de Sarande com o castelo da cidade no topo da montanha


A cidade de Sarandë é a maior atracção turística da Riviera Albanesa visto situar-se num golfo do Mar Jónico inserido no Mar Mediterrâneo a apenas duas milhas da ilha de Corfu, uma das mais famosas ilhas gregas. Trata-se ainda de uma pequena cidade portuária de apenas 30 mil habitantes que se situa a escassos quilómetros da antiga cidade de Butrint que consta da lista de Património Mundial da UNESCO e é o principal centro da minoria de ascendência grega na Albânia. 


 História

Na antiguidade a cidade de Sarandë era conhecida por Onchesmos e era uma próspera cidade portuária habitada por tribos de Gregos Caónios
O actual nome Sarandë provém do nome do Mosteiro Bizantino de Agioi Saranda, que significa "Quarenta Santos" já que este terá sido erguido em honra dos quarenta mártires de Sebaste. Já durante o período de domínio Otomano o nome da cidade mudou para Aya Sarandi e posteriormente para Sarandoz, mas devido à grande influência da República de Veneza nesta região era comum a cidade ser cartografada nos mapas da época com o seu nome italiano de Santa Quaranta. Seria este o nome pelo qual a cidade seria conhecida até ser ocupada pela Itália Fascista na II Guerra Mundial altura em que o seu nome seria mudado para Porto Edda, em honra da filha mais velha de Benito Mussolini. Após a restauração da independência da Albânia a cidade voltou a ser conhecida pelo seu nome albanês Sarandë.

Desenvolvimento turístico da zona costeira da cidade de Sarande

Durante o período de domínio Otomano dos Balcãs, houve em 1878 uma revolta dos gregos residentes em Sarandë, que chegaram mesmo a controlar a cidade até verem os seus intentos travados pelas tropas Otomanas.
Com o fim do Império Otomano nos Balcãs a cidade foi incluída no recém formado Estado Albanês em 1913, mas em Março de 1914, a cidade passou a fazer parte da recém declarada em Gjirokastër República Autónoma do Norte do Epiro. Porém aquando do colapso da Albânia no inicio da I Guerra Mundial, as tropas Gregas reconquistariam a cidade de Sarandë juntamente com Korçë e Gjirokastër passando assim toda a antiga área da República Autónoma do Norte do Epiro para controlo grego até 1941, data em que se verificou a invasão alemã da Grécia, no mês de Abril.
A cidade esteve também duas vezes sob ocupação italiana, entre 1916 e 1920 altura em que a Itália a declarou como um Protectorado Italiano no Sul da Albânia, e posteriormente em 1939, em plena II Guerra Mundial, onde serviu como um porto estratégico durante a invasão italiana da Grécia.

 
Ferry que liga Sarande à ilha de Corfu (esq) Vista da cidade de Sarande (dta)

Após a retirada da Itália da II Guerra Mundial foram as tropas Nazis que passaram a controlar a cidade até serem expulsas pelo Exército Britânico, que era fortemente apoiado pelo Movimento Nacional de Libertação Albanês, e também pela resistência Grega. Todavia as tropas inglesas retiraram rapidamente da região deixando entregue às forças Comunistas albanesas. 

Zona da Alfândega (esq) Instalações portuárias da cidade de Sarande (dta)

Em 1912 após a Declaração de Independência da Albânia, Sarandë tinha apenas 110 habitantes, passando para 810 de acordo com o censos do ano de 1927, não tendo ainda no entanto o estatuto de cidade. Nos anos 30 a cidade teve um bom desenvolvimento demográfico e foi neste período que ali foram construídas instituições públicas e estradas principais. 
Em pleno regime Comunista, em 1957 a cidade já contava com 8700 habitantes passando assim a ser sede de distrito e em 1990 os habitantes de Sarandë passaram para quase 16000, sendo que quase metade pertenciam à minoria grega, cerca de 7500.
Cidade de Sarande vista desde o seu porto
Devido à sua localização e ao seu clima, Sarandë tem vindo a tornar-se na mais importante zona turística do país desde a queda do Comunismo, com este a tornar-se na maior força económica da cidade, ultrapassando o sector dos serviços, a construção e a pesca. O forte desenvolvimento da cidade em termos turísticos faz com que no presente Sarandë conte com 30 mil habitantes sendo que, de acordo com as estatísticas, 26500 dos habitantes são albaneses, enquanto os restantes habitantes estão divididos entre gregos e ciganos, visto que desde o fim do comunismo mais de metade da população etnicamente grega tenha emigrado para a Grécia entre 1991 e 2001. No entanto a cidade é ainda assim considerada como um dos dois centros da Minoria Grega na Albânia, bem como Gjirokastër.



 Diário de Viagem

A primeira vez que visitei Sarandë foi em Agosto de 2010 aquando de uma viagem pelos Balcãs Ocidentais. Cheguei a esta cidade a partir de Elbasan, também na Albânia, após uma viagem de muitas horas numa atafulhada minivan num muito quente dia de verão.


Em cima: Estrada entre Gjirokaster e Sarande (esq) Minivan que me transportou desde Elbasan até Sarande (dta)
Em baixo: Restaurante onde almocei em Sarande, em Agosto de 2010 (esq) Loja de comércio local (dta)

Ruína na praia de Sarande
A cidade de Sarandë é uma cidade pequena com ruas muito movimentadas, pelo menos em época de verão, cheia de bares, restaurantes e pequenas lojas. O contraste entre a vida quotidiana dos habitantes de Sarandë é notório quando se passa no grande passeio marginal ao longo da cidade. Na mesma rua vêm-se habitantes idosos que se sentam nos muros da marginal de forma a pôr a conversa em dia, e superfícies comerciais e bares com alguma dimensão frequentados por uma clientela jovem não residente na cidade fora da época balnear. As praias de Sarandë não são excepcionais, no entanto não podem ser consideradas más para uma praia de cidade.

A marginal de Sarande ao longo da qual se estendem grandes edifícios)

Uma das razões que tem permitido à cidade receber mais turistas em época balnear é a existência de dois ferry-boats diários que fazem a ligação com a ilha grega de Corfu. Os muitos turistas que visitam a ilha grega acabam por visitar nem que seja por um dia a cidade de Sarandë, Butrint, ou a fascinante Blue Eye Spring, antes de regressar à Grécia com um carimbo albanês nos passaportes.

Ferry que faz a ligação Sarande - Corfu (esq) Eu a dirigir-me à entrada do ferry (dta)
 
A maior atracção cultural existente no centro da cidade de Sarandë são as ruínas de uma velha sinagoga do século V. É ainda possível visitar o castelo no topo da montanha que é também um restaurante, mas o melhor é mesmo a vista de toda a baía de Sarandë.

As ruínas da velha sinagoga situam-se no centro da cidade
A cerca de 25 quilómetros de Sarandë situa-se a idílica paisagem conhecida como a Blue Eye Spring, ou nascente do olho azul, onde decidi deslocar-me apesar de estar um dia chuvoso.

                                  Caminho de carro até à zona onde se situa a nascente (esq) Entrada da barragem (dta)

A nascente do rio Bistrita situa-se no interior de um parque com uma espectacular paisagem composta por uma zona húmida e densamente arborizada banhada por uma "piscina" natural de vários tons de azul. Na zona junto à nascente existe ainda um restaurante e uma estalagem.



                                 As paisagens justificam completamente os 25 quilómetros de viagem desde Sarande

Como Chegar

Paisagem da Blue Eye Spring
A primeira vez que visitei Sarandë foi em Agosto de 2010 aquando de uma viagem pelos Balcãs Ocidentais, no entanto acabei por visitar a cidade por mais duas vezes, em Maio e também em Junho de 2012. Das três vezes que me desloquei à cidade nunca usei o mesmo caminho, visto que da primeira vez me desloquei desde a cidade de Elbasan, também na Albânia, através de uma minivan e das outras duas vezes a partir de Tirana, usando uma vez um carro alugado e da segunda vez um autocarro. O facto de ser a mais conhecida zona turistica da Albânia não significa que seja muito fácil o acesso a Sarandë. As duas opções mais fáceis são ou a partir de Tirana, usando autocarro ou minivan, ou a partir da ilha grega de Corfu, usando um dos dois ferrys diários existentes em período de verão. 

Tuesday, July 3, 2012

Riviera Albanesa


Praia de Himare na Riviera Albanesa


A região apelidada de Riviera Albanesa consiste na muito montanhosa, e por isso de dificil acesso, região costeira banhada pelo Mar Jónico, entre Llogarah e a cidade de Saranda, quase no extremo Sul da Albânia. 
Esta região do país é famosa pelo turismo em época de verão, contudo os turistas que a visitam são de nacionalidade albanesa visto não ser uma região turística muito divulgada internacionalmente apesar do seu crescente potencial neste âmbito.


História

Uma das igrejas da aldeia de Dhermi
Durante muito tempo esta foi uma região muito isolada do resto do país, facto que pode explicar o porquê de aldeias rurais de montanha como Himarë, Vuno e Dhërmi terem características únicas que as fazem ser diferentes de muitas outras pequenas aldeias rurais albanesas.
As altas e sinuosas montanhas que muito dificultam o acesso a esta região votaram-na a um grande isolamento face ao resto do país.
Contudo o grande isolamento da região tornou possível a sua resistência à ocupação do Império Otomano durante muito tempo, quando este já dominava toda a Albânia, e, por isso, a manutenção da sua cultura de matriz cristã, ainda hoje bem patente.
Como estão geograficamente muito afastados do resto da Albânia, aqui desenvolveram-se laços muito fortes com a vizinha ilha grega de Corfu, bem como outras ilhas do Mar Jónico, que levou os habitantes desta área a desenvolver uma singularidade especifica da qual faz parte o uso da língua grega em vez do idioma albanês.

                       As altas montanhas próximas da costa jónica (esq) e um abrigo de pastores na montanha (dta)

Nestas aldeias a língua grega é a utilizada na vida quotidiana, apesar das tradições antigas, como a música e dança popular, estarem relacionadas com a língua e cultura albanesa.
Todavia esta questão ultrapassa um pouco o âmbito histórico, entrando no campo político e por isso as explicações / justificações são várias, mas a versão mais difundida pelos albaneses é a de que os habitantes desta região a sul do país, desde os tempos mais remotos, usavam a língua albanesa e não a grega como sucede actualmente.

 
                                             Duas perspectivas da bonita aldeia de Dhermi na Riviera da Albânia

A politização desta questão faz com que a população desta área da Albânia não esteja incluída oficialmente na minoria grega que reside na Albânia, mesmo que o governo grego tenha concedido a estes cidadãos a cidadania grega bem como as respectivas reformas, facto que as ajuda a "sentirem-se" gregos em vez albaneses.
 
                      Nesta região misturam-se a vida rural das aldeias e o turismo de verão nas praias do mar jónico

Actualmente o governo está a apostar na modernização das antigamente precárias vias de circulação rodoviária que ligam esta área do país a Tirana com o intuito de impulsionar o potencial turístico desta zona do território albanês. Porém, o actual nível das infraestruturas turísticas desta área, um pouco à semelhança do resto da Albânia, não a permitem ainda, nem nos tempos mais próximos, competir com a vizinha Grécia.


No entanto os baixos preços aliados às bonitas paisagens de água azul cristalina lado a lado com uma bem presente vida rural das aldeias muito próximos do mar, fazem com que a Riviera Albanesa possa ser uma hipótese a ter em conta para umas futuras férias de verão bem passadas e muito em conta.


Diário de Viagem

A minha visita à Riviera da Albânia foi em Maio de 2012. De Tirana desloquei-me até à cidade de Vlore e dali entrei na renovada estrada até às montanhas do parque natural de Llogarah, onde termina o Mar Adriático e começa o Mar Jónico.

 Paisagem vista das altas montanhas de Llogarah que separam os Mares Adriático e Jónico

Vista desde as montanhas de Llogarah
A estrada que passa pelas montanhas inseridas no parque natural de Llogarah durou cerca de quarenta minutos, até se atingir mais de mil metros de altitude. Na área do Parque Natural de Llogarah existem pequenas aldeias com a sua vida rural, o seu vinho caseiro e os seus típicos assados de borrego que nos lembram o inverno, e que nos fazem por um momento quase duvidar que logo depois destas montanhas se encontram as belas praias do mar jónico com a sua água verde cristalina. Ao atingir a parte mais elevada por onde passa a estrada de montanha consegue ver-se grande parte da linha costeira da Riviera albanesa. Quando ali me desloquei foi à hora do pôr-do-sol que cheguei ao alto da montanha e a paisagem era de facto algo fora do normal. Após atingir o alto das montanhas a estrada começa a descer com grande inclinação para uma altura próxima do nível do mar. Durante o ziguezague das estradas de montanha existem várias aldeias antigas com as suas pequenas casas de pedra, as suas igrejas, e os seus antigos castelos construídos nas montanhas e virados para o mar.

Aldeia de Dhermi, com as suas várias igrejas e o seu castelo no topo de uma das montanhas 

As íngremes montanhas acompanham-nos sempre no caminho até Saranda tornando algo difícil o acesso às praias, o que faz com que a maior parte da costa não esteja explorada a nível turístico.

 As montanhas estendem-se por toda a linha costeira tornando dificil o acesso às praias

Todavia nem o acidentado terreno que caracteriza esta parte do país, nem mesmo a beleza e potencial das praias foram argumentos suficientes para demover o antigo líder comunista albanês de construir nesta zona vários dos "seus" 700 mil bunkers.

                           Bunker numa encosta próxima do mar em Livahd (esq) e Bunker na praia em Borsh (dta)

A aldeia de Himare tem várias praias e muitas antigas tavernas gregas, apesar da maior parte da população etnicamente grega ter deixado a aldeia nos anos 90, além de uma muito típica parte antiga ainda não muito descaracterizada pelo aumento do turismo nos últimos tempos.

                            As tavernas gregas permitem-nos saborear a gastronomia da região a preços incrivelmente baixos

 Praias em Livahd, região de Himara

Continuando na estrada para Saranda, a próxima paragem a efectuar deve ser em Porto Palermo. Trata-se de uma linda baía muito isolada sem qualquer tipo de infraestruturas turísticas nas suas imediações, à excepção de um restaurante de peixe, e de um castelo otomano do século XIX.

 
                                       Em cima: Praia na baía de Porto Palermo (esq) Ilha de Porto Palermo (dta)
                                       Em baixo Baía de Porto Palermo (esq) Castelo na ilha de Porto Palermo (dta)


A construção do castelo, que se encontra numa ilha no meio da baía, remonta aos tempos da ocupação Otomana. Foi construído por Ali Pasha tendo como base para a sua construção as fundações de uma muito antiga fortaleza que ali existia. A entrada no castelo custa 100 lek (cerca de 70 cêntimos de euro).
                                      Interior do castelo de Porto Palermo (esq) Vista de uma das janelas do castelo (dta)

A paisagem pitoresca do castelo e da ilha com uma linda baía com praias como pano de fundo tornam inevitável uma paragem neste lugar. Do castelo, se olharmos bem poderemos localizar a olho nu uma antiga base de submarinos alemã que remonta à II Guerra Mundial, cuja entrada é vedada ao público.

 
                                      Instalações da antiga base de submarinos (esq) Fortificações na praia junto à antiga base (dta)

A próxima paragem após Porto Palermo é Qeparo, uma aldeia que olha o mar através das montanhas. As praias não são longe da aldeia, sendo apenas necessário passar o grande olival que se estende quase até à praia.
Aqui é notória a falta de infraestruturas turísticas ao nível de hotéis e restauração, todavia, com o devido planeamento por parte das autoridades locais o turismo nesta parte da Albânia tem tudo para poder prosperar.

 
                                                   Dois panoramas diferentes da praia de Qeparo

Continuando a seguir a estrada, cerca de 15 minutos depois de Qeparo a mesma estrada passa pelo interior da aldeia de Borsh que além das suas tavernas e cafés também tem as suas praias. Para ali chegar é preciso virar à direita para a estrada em direcção ao mar com cerca de três quilómetros.


Após Borsh e antes de Saranda, a estrada passa ainda pela aldeia de Piquerasi, a aldeia mais próxima da bonita praia de Buneci.

 

A Riviera Albanesa termina em Saranda, que é talvez o ponto mais turístico de toda a Albânia. Aqui o turismo é diferente do praticado nas outras praias da costa jónica. Ao contrário das pequenas e rurais aldeias da Riviera Albanesa, Saranda é uma cidade grande, embora muito descaracterizada pelo incontrolado desenvolvimento turístico, com alguma capacidade hoteleira, e, no verão, com uma animada vida nocturna, com inúmeros bares e discotecas.

                Dois panoramas diferentes da cidade de Saranda. Vista da baixa da cidade (esq) e vista a partir do mar (esq)

Nos meses de verão Saranda é também porta de entrada para alguns "curiosos" turistas em Corfu, a vizinha ilha grega, que dali se deslocam para conhecer a misteriosa e para muitos desconhecida Albânia.

Como Chegar


Mapa da região da Riviera Albanesa
Caso nos desloquemos a partir de Tirana, é mais fácil deslocar-nos à Riviera Albanesa a partir de Vlore, uma cidade que é das maiores da Albânia, e que por isso está bem conectada com Tirana, através de minivans, autocarros e até comboio. O percurso efectuado é quase directo: Tirana - Fier - Vlore.
Caso queiramos começar o trajecto por Saranda, podemos chegar a esta cidade através de Corfu, por intermédio de uma viagem de ferry de cerca de 45 minutos, ou também através de Tirana. De Tirana, o acesso à Saranda é mais difícil do que a Vlore, já que se trata de uma viagem muito longa, de mais de 7 horas, existindo apenas as opções de minivan ou autocarro, sendo este último mais lento.
Caso aluguemos um carro podemos chegar de Tirana até Saranda através da estrada Tirana - Fier - Tepelene - Gjirokaster - Saranda.
Iniciando o percurso da Riviera Albanesa por Saranda, a estrada, recentemente renovada e quase sem trânsito, até Llogarah é a seguinte: Saranda - Shënvasije (11 km) - Lukovo (8 km) - Piqeras (9 km) - Borsh (2 km) - Qeparo (11 km) - Spillës (2 km) - Himarë (4.5 km) - Vuno (4.5 km) - Dhërmi (3 km) - Palasë (11 km) - Llogarah