Tuesday, July 10, 2012

Apollonia & Fier

Ruínas da fachada do teatro da antiga cidade de Apollonia


As ruínas da antiga cidade de Apollonia situam-se a 12 quilómetros da cidade de Fier, que está a cerca de 90 quilómetros a sul de Durres. As ruínas localizam-se numa zona de altas colinas cheias de velhas oliveiras de onde se podem observar planícies que se estendem por vários quilómetros de distância. O nome Apollonia vem de Apolo em honra do Deus para quem os Gregos do Corinto e de Corfu fundaram a cidade no ano de 588 a.c. que pouco tempo mais tarde se viria a tornar numa importante Cidade-Estado, que cunhava a sua própria moeda, prosperando devido a uma forte economia baseada num grande comércio de escravos.


História
 
A cidade foi fundada por Gregos em terras anteriormente ocupadas por tribos Ilírias que passaram assim a viver em comunidade com os colonos gregos, e era considerada por Aristóteles como um dos grandes exemplos do sistema Oligárquico, onde eram os descendentes dos colonos gregos quem controlava a cidade apesar de estes constituírem uma minoria face aos habitantes de origem Ilíria. Mas apesar do bom nível de vida registado na cidade durante o período grego, seria durante o período de ocupação romana que Apollonia viria a tornar-se de facto numa grande cidade cujo porto poderia albergar cerca de 100 navios ao mesmo tempo.
Ruínas do antigo Teatro Romano
Apollonia, como Dyrrachium (antigo nome de Durres) era um importante porto na costa Ilíria que ligava Brundisium (actual Brindisi) ao Norte da Grécia, e também um importante ponto por onde passava a Via Egnatia rumo a leste, a Salónica e a Bizantium.
A cidade cedeu ao domínio Romano no ano de 229 a.c. e foi posteriormente recompensada no ano de 168 a.c. com o espólio do derrotado Rei Gentius da Ilíria. Em 148 a.c. Apollonia seria integrada na Província Romana da Macedónia, na região Norte do Epiro. Durante a Guerra Civil Romana, entre Pompeu e Júlio César, a cidade apoiaria Júlio César que recompensaria depois a cidade com o título de "cidade livre" além de para ali enviar o seu sobrinho Octávio, futuro Imperador Augusto, para estudar na conceituada escola de Filosofia da cidade sob tutela de Athenodorus de Tarsus, no ano 44 a.c. E seria na cidade de Apollonia que Octávio viria a receber a notícia do assassínio de Júlio César, apenas quatro anos antes da cidade caír nas mãos de Marcus Iuniuns Brutus, no ano 48 a.c.

                                                 Mosteiro de Ardenica e Igreja de Santa Maria

Interior da Igreja de Santa Maria
O Cristianismo foi implantado na cidade muito cedo visto que o bispo de Apollonia foi um dos 250 bispos a estar presente no Primeiro Concílio de Éfeso convocado por Teodósio II em 431, e também mais tarde no Concílio de Calcedónia, em 451, respectivamente terceiro e quarto dos sete concílios da história do cristianismo. Após uma série de desastres militares e também naturais, incluindo um terramoto no século III que transformou o rio num pântano de malária, a população deixou a cidade deslocando-se para sul, na direcção de Avlona, hoje Vlore. Facto que fez com que até ao Século V Apollonia não fosse mais do que uma pequena aldeia com o seu bispo e uma pequena comunidade cristã que pensa-se residisse próximo da colina onde se situa a Igreja de Santa Maria, parte do complexo do Mosteiro de Ardenica, sendo posteriormente completamente abandonada ainda na antiguidade.
 
                                                 Plateia do Teatro Romano de Apollonia

Pastor com o seu rebanho bem próximo das ruínas
A cidade seria "redescoberta" por arqueólogos franceses entre 1924 e 1938 após parte das ruínas terem sido severamente danificadas durante a II Guerra Mundial. Após o término do conflito militar uma equipa albanesa reiniciou os trabalhos embora ainda actualmente a maior parte do sítio arqueológico permaneça inexplorada. Sendo que a maior parte dos achados arqueológicos desenterrados em Apollonia estão expostos no Museu de Apollonia, aberto em 1958, no mosteiro de Santa Maria, sendo que os restantes se encontram expostos em Tirana. Infelizmente durante o período de anarquia que reinou após o final do comunismo em 1990, a colecção arqueológica foi pilhada levando o museu a ser encerrado. As ruínas foram também escavadas e muitas peças arqueológicas foram desenterradas e vendidas a coleccionadores estrangeiros.


Diário de Viagem

A minha visita ao sítio arqueológico de Apollonia foi no mês de Maio de 2012. Aqui há muito menos para ver do que em Butrint, no entanto dentro dos quatro quilómetros de ruínas de antigas muralhas existe um não muito grande teatro com os pilares da fachada do centro administrativo da cidade.

                                        Ruínas da fachada e da plateia do teatro romano de Apollonia

Existe um complexo chamado casa dos mosaicos que data do Século III mas que no entanto não pode ser visitado sendo os mosaicos cobertos com areia de forma a facilitar a sua preservação.

                                  Ruínas da cidade de Apollonia vistas de um ponto próximo da Acropolis

Dentro do complexo do Museu de Apollonia situa-se o Mosteiro Bizantino e a Igreja de Santa Maria - Kisha Shën Mëri - com as suas fascinantes gárgulas nos seus pilares exteriores. 

                                                  Igreja de Santa Maria e complexo do Mosteiro Bizantino

Quando ali me desloquei a colecção do museu não estava ainda disponível, mas no entanto encontravam-se expostos junto à entrada do museu bastantes achados arqueológicos desenterrados na área arqueológica próxima. Da área arqueológica, olhando o horizonte são visíveis enormes refúgios escavados nas montanhas parte do sistema de defesa comunista.

                                   Refúgios escavados nas montanhas próximas das ruínas de Apollonia

Após abandonar a área arqueológica, rumo a Fier são inúmeros os Bunkers comunistas nas áreas rurais junto à estrada.

                                       Paisagens rurais junto a Apollonia com a presença de bunkers

Como Chegar

Não é fácil chegar à antiga cidade de Apollonia através de transportes públicos, sendo a melhor maneira para quem vem de Tirana, entrar numa das Minivans com destino a Fier (cerca de 100 quilómetros) e dali apanhar um táxi até ao sítio arqueológico (cerca de 12 quilómetros).


No comments:

Post a Comment